
Um longa-metragem que retratasse a cultura de Campinas em 2011 certamente estaria na prateleira separada para o gênero terror. Afinal, pelo olhar cultural, este é um período para ser esquecido na cidade. Em resumo, Campinas termina mais um ano sem a reabertura do Teatro Castro Mendes, sem a inauguração do prometido sambódromo, com os frequentes atrasos nas parcelas do Fundo de Investimento Culturais de Campinas (FICC), com o único teatro municipal de grande porte (Luís Otávio Burnier) interditado e, para piorar, a cidade fecha o ano sem um secretário de Cultura.

De janeiro a dezembro foram três nomes na pasta de Cultura, mas poucas mudanças, em uma cidade que em 2011 viveu uma instabilidade política a ponto de acordar com dúvidas sobre quem seria o prefeito da cidade, por conta dos escândalos que derrubaram Hélio de Oliveira Santos e Demétrio Vilagra, colocando o ex-presidente da Câmara dos Vereadores Pedro Serafim Jr. no comando do município.
Campinas termina 2011 com a vergonhosa marca de ser a pior cidade da RMC em número de lugares em teatro per capita. Isso, antes do fechamento do teatro interno do Centro de Convivência. Após,
restam na cidade apenas 336 lugares em teatros municipais, divididos em dois pequenos espaços em estado precário. A cultura de Campinas, que não tem motivo para comemorar há muito tempo, fecha o ano em uma situação em que parece não haver por onde piorar. As opções vieram da iniciativa privada, que trouxe shows e espetáculos ao município, e das cidades da região, com destaque para o festival SWU e o Paulínia Festival de Cinema.
Três secretários em um anoEm um ano, a cidade teve três responsáveis pela pasta de Cultura: Arthur Achilles, Renata Sunega e Bruno Ribeiro. Renata, que assumiu na primeira quinzena de janeiro, foi a que mais permaneceu em 2011 e pediu
exoneração após a queda do prefeito Hélio de Oliveira Santos. Com o petista Demétrio Vilagra no comando do Palácio dos Jequitibás, o nome escolhido para a cultura
foi o do jornalista Bruno Ribeiro que, com forte ligação com o PT, não permaneceu no cargo após a saída de Vilagra. Por enquanto, a
secretaria de Cultura vela sem comando.
CarnavalO carnaval de 2011, mais uma vez realizado fora do prometido sambódromo, expôs mais uma das facetas da falta de planejamento cultural da cidade. As escolas de samba
receberam a verba da prefeitura a nove dias do início dos desfiles, prejudicando o que foi mostrado à população. Na avenida, Rosa de Prata, da Vila Castelo Branco, foi bicampeã do carnaval da cidade com o tema “Arte: expressão de sentimento e sensibilidade”. Outro triste fato marcante do desfile de Carnaval em 2011, foi uma
bomba lançada na avenida durante a apresentação da Unidos do Paranapanema.
Shows e teatroA cidade recebeu em 2011 alguns shows e espetáculos de destaque. Nomes como Céu, Marcelo Camelo, Móveis Coloniais de Acaju, Mundo Livre S/A, Skatalites, Tony Tornado, Rogério Skylab, André Abujamra, Emicida, Velhas Virgens e diversos outros passaram pelos palcos. No teatro, o Festival do Teatro Brasileiro (FTB): Cena Mineira movimentou a agenda de espetáculos em junho. O
EP Campinas também esteve no Festival de Teatro de Curitiba, o mais importante do país, e acompanhou o grupo campineiro Tépis, que encenou a peça "Depois daquele baile".
Virada CulturalDepois de dois anos fora do evento realizado pelo governo do Estado em parceria com as prefeituras, a Virada Cultural voltou à cidade em 2011. Mesmo com uma programação fechada encima da hora e abaixo do nível dos outros municípios de São Paulo, Campinas pôde, novamente, sentir-se incluída nas atividades culturais espalhadas por SP. A grande atração da Virada Cultural campineira foi o show da banda Raimundos.
Fechamento teatro interno do Centro de ConvivênciaO único teatro municipal de grande porte de Campinas oferecia risco à população, concluiu um relatório da secretaria de Urbanismo. Foi o resultado de anos largado às traças e usado quase que unicamente por falta de outra opção, o Teatro Luís Otávio Burnier, localizado no Centro de Convivência,
foi interditado em 14 de dezembro. Não era necessário o dom da clarividência para saber que o provável destino do espaço seria esse, afinal os anos de descaso tornaram o teatro do Convivência um local castigado por goteiras e risco de curto-circuito.

Novela do Teatro Castro Mendes
Outubro, até o fim de 2011, março de 2012... Promessas de prazo não faltaram para a entrega do Teatro Castro Mendes. Fechado desde 2007 é tido como a grande esperança para diminuir o déficit de espaços culturais em uma cidade com mais de um milhão de habitantes e que hoje tem apenas dois teatros: os pequenos Maria Monteiro (inacabado) e o Carlito Maia (em condições críticas).
Protestos Para
protestar contra a situação crítica da cultura de Campinas, artistas foram para a ruas. A última manifestação, por sinal, deu-se após o fechamento do Teatro Luís Otávio Burnier. Uma peça foi encenada do lado de fora do espaço no dia da interdição e as escolas de dança da cidade se reuniram dias depois no Centro de Convivência para protestar contra a situação. A causa é óbvia, afinal hoje não há nenhum espaço para as apresentações na cidade.

SWURealizado em Paulínia, o festival SWU foi o grande evento da região de Campinas em 2011, atraindo as atenções de todo o Brasil para o Interior paulista. Passaram pelo SWU nomes como Black Eyed Peas, Snoop Dogg, Peter Gabriel, Alice in Chains, Faith no More, entre outros, além dos convidados para o Fórum de Sustentabilidade, Neil Young, Daryl Hannah, Bob Geldof, e outros.
Foram mais de 60 atrações em três dias de programação, e em 2012 o festival permanece em Paulínia.
Festival de Cinema de PaulíniaA 4ª edição do Festival Paulínia de Cinema precisou de uma mudança inédita no percurso do festival, graças ao sucesso de público: sessões extras. Pela primeira vez foi necessário abrir novas exibições dos filmes do festival, pois o público lotou o Theatro Municipal de Paulínia, que abriga mais de mil pessoas.
O grande vencedor do festival foi o longa-metragem “A febre do rato”, que levou oito troféus, incluindo o de melhor filme.