PT propõe eleição direta com custo pago pela Câmara
Requerimento apresentado pelo vereador Josias Lech (PT) ao Legislativo pede uma consulta ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE)
23/01/2012 - 23h13 . Atualizada em 24/01/2012 - 08h23
Dentro da nova ofensiva pela eleição direta em Campinas, aberta em conjunto com o aliado PCdoB, o PT — partido do prefeito cassado Demétrio Vilagra — agora quer que a população escolha o próximo governante, mas com os gastos custeados pela Câmara Municipal. Para isso, um requerimento apresentado pelo vereador Josias Lech (PT) ao Legislativo pede uma consulta ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre a possibilidade de realizar um pleito direto na cidade com as despesas da nova eleição por conta do Orçamento da Casa — ou seja, o dinheiro para bancar todo o aparato sairia do bolso da população. Já o PCdoB buscou na Justiça reverter a decisão do juiz eleitoral de Campinas, Nelson Augusto Bernardes, que determinou que as eleições no município serão indiretas.
Caso a Justiça reveja a situação da cidade, a estimativa é de que a eleição direta no município tenha um custo de R$ 2 milhões. De acordo com resolução conjunta da Advocacia Geral da União (AGU) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os prefeitos cassados é quem têm de bancar as novas eleições diretas. No caso de Campinas, no último ano, dois chefes do Executivo tiveram seus mandatos cassados — Demétrio e Hélio de Oliveira Santos (PDT). Pelas novas regras, os dois é que teriam que pagar o custos de todo o processo, no caso de eleição direta para o mandato-tampão até dezembro.
Lech afirmou que é possível retirar do orçamento da Câmara o dinheiro. “É só os vereadores apertarem o cinto e abrir mão de alguns gastos. Isso viabilizaria as eleições diretas na cidade. O que eu pedi ao presidente da Câmara (Thiago Ferrari, PTB) é uma consulta formal ao TRE, o que não fere a legalidade e nem precisa de parecer jurídico”, disse.
O petista também acredita que, ao repassar à Câmara os gastos com o pleito, uma negativa do TRE seria menos provável. “Se o tribunal rejeita uma eleição direta, geralmente é por dois motivos. Um prazo curto pelo fato de a cidade já ter uma eleição este ano e o gasto para realizar todo esse processo. Se a Câmara assume o gasto, então já livra a Justiça de um problema e o processo se torna mais viável”, disse Lech.
O ex-líder de governo do PT afirmou não acreditar que Hélio e Demétrio pudessem assumir os gastos de um possível pleito direto. “A lei é nova e pelas regras caberia aos dois bancar o processo. Porém, as ações ainda tramitam na Justiça e os prefeitos cassados não foram julgados.”
Justiça
No PCdoB, o pedido de eleições diretas foi protocolado na Justiça em nome do Comitê Municipal do partido. Na ação, a legenda exemplifica casos semelhantes ao de Campinas onde se optou pelo pleito direto. Os comunistas já haviam solicitado ao Ministério Público (MP) providências para garantir as eleições diretas na cidade. Desta vez, o pedido foi protocolado diretamente ao juiz da 33 Zona Eleitoral, Nelson Augusto Bernardes.
Comissão
A comissão criada na Câmara para delimitar as regras das eleições indiretas vai encaminhar todas as diretrizes — como calendário e normas — ao juiz Bernardes. A documentação ainda não definiu uma data para isso mas a estimativa é de que todo este processo esteja finalizado até o início da próxima semana. Segundo o presidente da Casa, Thiago Ferrari (PTB), o pedido do vereador Lech será anexado aos documentos da comissão para ser entregue à Justiça, que definirá com uma consulta ao TRE como serão feitas as eleições. Após a cassação de Demétrio, em dezembro passado, o então presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT), assumiu o posto de chefe do Executivo até as novas eleições, que devem ser realizadas até março deste ano.
Justiça
No PCdoB, o pedido de eleições diretas foi protocolado na Justiça em nome do Comitê Municipal do partido. Na ação, a legenda exemplifica casos semelhantes ao de Campinas onde se optou pelo pleito direto. Os comunistas já haviam solicitado ao Ministério Público (MP) providências para garantir as eleições diretas na cidade. Desta vez, o pedido foi protocolado diretamente ao juiz da 33 Zona Eleitoral, Nelson Augusto Bernardes.
Comissão
A comissão criada na Câmara para delimitar as regras das eleições indiretas vai encaminhar todas as diretrizes — como calendário e normas — ao juiz Bernardes. A documentação ainda não definiu uma data para isso mas a estimativa é de que todo este processo esteja finalizado até o início da próxima semana. Segundo o presidente da Casa, Thiago Ferrari (PTB), o pedido do vereador Lech será anexado aos documentos da comissão para ser entregue à Justiça, que definirá com uma consulta ao TRE como serão feitas as eleições. Após a cassação de Demétrio, em dezembro passado, o então presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT), assumiu o posto de chefe do Executivo até as novas eleições, que devem ser realizadas até março deste ano.
SAIBA MAIS A decisão de repassar aos prefeitos cassados em todo o País os custos do processo eleitoral é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da Advocacia Geral da União (AGU), que assinaram um acordo de cooperação técnica neste mês. De acordo com informações da União, nos últimos dois anos mais de R$ 3 milhões foram gastos com esse tipo de pleito no País. Só em Campinas, para realizar uma eleição atemporal, a estimativa é de que R$ 2 milhões seriam consumidos.
Petista foi cassado em dezembro
O prefeito Demétrio Vilagra (PT) foi cassado em dezembro do ano passado pela Câmara de Campinas sob a acusação de quebra de decoro. Antes disso, Hélio de Oliveira Santos (PDT), prefeito reeleito na cidade, perdeu seu mandato após acusações no escândalo do Caso Sanasa implodirem seu governo.
O Ministério Público (MP) identificou dentro da Administração campineira um esquema de fraudes em licitações, corrupção e formação de quadrilha onde supostamente participavam a ex-primeira-dama Rosely Nassim Jorge Santos (que seria a líder da quadrilha) e Demétrio, como suposto operador do esquema de cobrança de propina para liberação de contratos. Hélio perdeu seu cargo após ser acusado pelo Legislativo de omissão, quebra de decoro e negligência. Já o petista foi afastado de sua função por, supostamente, ter conhecimento do esquema criminoso que funcionava dentro do Palácio dos Jequitibás e não ter tomado nenhuma atitude para frear a corrupção.
Para o MP, Demétrio recebeu dinheiro das mãos de em presários para viabilizar um suposto direcionamento em concorrências públicas.
Desde que Demétrio foi cassado, os militantes do PT passaram a promover o movimento intitulado “Diretas Já” no município, atribuindo a atitude da Câmara a um “golpe” político. Para os petistas, o Legislativo campineiro tinha interesses em afastar Demétrio para que assumisse a função o presidente da Casa, Pedro Serafim. O PT promove atos públicos em redes sociais e nas ruas da cidade para que a população vá às urnas e escolha o próximo governante.

